O quanto nos importamos com as vítimas de guerras como as da Síria? Quando expandimos nossa consciência, percebemos que existem diversas realidades ao nosso redor. O que fazemos com essa percepção? O quanto nos importamos com quem está sofrendo? O jovem cantor Stephen (23) fez essas perguntas a si mesmo ao pensar sobre o sofrimento dos refugiados da Síria e compôs o hit Crossfire.

Título Seo

Ele se conectou com suas dores e angústias e usou sua arte para traduzir essas emoções. Inocentes que se veem no meio de um fogo cruzado. Confira abaixo o clipe oficial de Crossfire:

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Com uma composição musical com dissonantes e reversos, Crossfire é uma música intimista que procura gerar desconforto e angústia. Ela convida ao ouvinte a sair de sua passividade, de sua cegueira habitual. Segundo o músico, quem sofre está vendo (e sentindo) as dores da guerra, não pode descansar.

Stephen fala sobre Crossfire

“Existem pessoas lá fora que estão sofrendo e tem muito pouco que elas podem fazer sobre isso”, explica o músico. “Algumas vezes eu me sinto culpado quando estou feliz, porque sei que essas pessoas estão sofrendo. Como eu posso ser feliz quando eu sei que essas pessoas estão sendo forçadas a viver em campos de refugiados e guetos, enquanto mulheres estão sendo traficadas sexualmente e milhões de pessoas inocentes estão sofrendo? Então enquanto eu sento aqui e olho minha vida, me sinto agradecido, mas também me sinto confuso. Como eu posso aproveitar as bênçãos enquanto sei que outros não podem?”.

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Cegueira Fogo Cruzado CrossfireCrossfire se traduz como uma revolta com o sofrimento dos outros, especialmente as vítimas da guerra e da foma. Inocentes vítimas de jogos de poder, que se vêem sem casa, sem proteção, sem sua identidade. Como podemos transformar nossas bênçãos em benefício para quem sofre?

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Um passo fundamental é não haver silêncio com relação aos abusos e às maldades. Tem que haver denúncia e pressão popular. A mídia tem um papel fundamental nesse processo. Como diz Daniel Newman, ““quem são as pessoas que mais facilmente são tirados seus direitos? Pessoas que são invisíveis, pessoas que permanecem em silêncio.”. Confira aqui a reportagem completa.

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O filme O Quarto Poder com John Travolta, mostra claramente a força que a opinião pública tem sobre os desdobramentos de eventos. Como visto no Vietnã no início da década de 70, a mídia teve um papel fundamental para o fim das hostilidades. As pessoas estavam vendo o sofrimento que existia.

Sobre Crossfire

CrossfireCrossfire começa sua letra aproximando o ouvinte da situação de quem sofre e suas aspirações, “ele trocaria suas armas pelo amor”. A chama divina que reside em nós e clama por bondade e ternura.

Stephen nomeia as pessoas que ele sente que sofrem mais: as mães, as crianças e os irmãos. Esses são os personagens dessa guerra para ele. Mulheres que vêm seus filhos sofrendo, enquanto os ‘irmãos’ lutam entre si. Matam uns aos outros.

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A música continua apresentando o quanto a maldade nós afasta das bênçãos dessa vida, o quanto o desejo por mais poder. Muitas vezes em nome de religião, de um Deus que ‘deseja’ que os ‘infiéis’ sejam subjugados e mortos.

Ele recorre ao divino para acolher aqueles que sofrem. A solução para os refugiados está apenas em sua fé. O autor nesse momento não vê solução prática imediata. Tem que se apegar à fé em um poder maior para diminuir a dor.

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Eu trocaria a minha sorte para saber / Por que ele foi pego no fogo cruzado”. Nesse trecho Crossfire apresenta a angústia de Stephen com a contraposição de sua vida com a realidade dos inocentes. Esse paralelo também é feito em quatro versos, dois no início: “E ele continua acordando / Mas não é ao som de pássaros” e dois no meio: “E eu estou aqui acordando / Ao sol e ao som de pássaros”.

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