Conta-se de um sábio Sufi, de nome Bayazid, que era visto sempre extremamente feliz, transbordando sua felicidade quase em estado de êxtase. Ele nunca foi visto resmungando pelos cantos, nem amaldiçoando a vida ou seus infortúnios. Quem conhecia o místico dizia que era incrível o quanto ele verdadeiramente estava em paz consigo e com a vida.

Mesmo que passasse algum dia sem comida ele estava ali, feliz. Claro que sua vida não era feita apenas de coisas boas, em que tudo estava sempre bem. Algumas às vezes não tinha teto, dormia sob as estrelas sem reclamar. Outras, não tinha nem roupas, mas ele permanecia feliz. Dentro de si ele mantinha seu santuário. E sua vida seguia sem perturbações. Não importando o que acontecia.

Sabedoria de Bayazid

Sufi Bayazid nos ensina o seguinte de si mesmo:

“Na juventude, eu era um revolucionário e assim rezava: ‘Dai-me energia, ó Deus, para mudar o mundo!’
Ao chegar à meia-idade, notei que metade da vida já passara sem que eu tivesse mudado homem algum.
Então, mudei minha oração, dizendo a Deus: ‘Dai-me a graça, Senhor, de transformar os que vivem comigo dia a dia, como minha família e meus amigos; com isso já ficarei satisfeito’
Agora que sou velho e tenho os dias contados, percebo bem quanto fui tolo assim rezando.
Minha oração, agora, é apenas esta: ‘Dai-me a graça, Senhor, de mudar a mim mesmo’
Se eu tivesse rezado assim, desde o princípio, não teria esbanjado minha vida.”

Inspiração para nossas vidas

Primeiramente, devemos ocuparmos nossos dias para conquistarmos nosso mundo interior é um desafio que leva mais de uma vida. Tentar mudar os outros é uma ilusão, cada um tem a sua transformação no momento que desejar. Ou seja, cada um alcança o que o tamanho de seus braços permite. Caso a pessoa queira sua ajuda, ela pedirá e você a ajudará especialmente pelo exemplo. De resto, descanse sua mente e seu espírito, tudo está como deveria estar. Em conclusão, não estamos no controle de quase nada.

Essa reflexão me lembra a Bênção de Nahuatl, você conhece? É muito bonito ver como conhecimentos antigos de diversas culturas pelo mundo conversam entre si, apontando para uma verdade superiora.

A única constante da vida é a impermanência. Tudo tende à transformação. E isso é bom. Porém, a transformação que temos acesso para agir é aquela dentro de nós. Assim, olhemos para nossas imperfeições, para os motivos que nos perturbam, para aquilo que é grosseiro em nosso espírito. Cuidemos das flores de nosso jardim interior.

Para saber mais:

As cem estações da alma conforme o sufismo – Abdullah Ansari de Herat

Rumi – A dança da alma – Rafael Arrais