Certa vez me detive a uma mensagem que tratava com a devida devoção um tema importante para nós: os amores. Não raro nos deparamos com as expressões de carinho profundo e devoção eterna até que o inevitável os separe. Com a bênção do tempo podemos entender melhor como funciona o universo dos corações humanos através das sucessões de fatos e eventos.

Quantas vezes nos deparamos com pessoas que juram eternidades e certezas de enlaces cardíacos e que tão subitamente quanto a flechada do Cupido, demonstram o oposto do que foi pactuado?

O ódio, a galope do nobre sentimento, surge das entranhas e devastas as plantações afetivas, trazendo consigo os calores das (pretensas) desilusões, daqueles que buscavam encontrar no outro seu próprio eu ou as saídas para suas tristes existências.

Cada vida fica atada a outras por laços forçosos ou eleitos e, se falsos ou vãos, inevitavelmente tornar-se-ão rancores e negritudes de alma e mente, pois o pó levantado dos castelos de sentidos intoxica, envenena, mata.

A mudança nos amores

Entristeço-me ao presenciar essas mutações. A cada evento penso em quais seriam os caminhos pregressos que poderiam ter sido trilhados. Como evitar tal nefasto Efeito Borboleta. Imagino, em minha injustificável pretensão, que o primeiro passo para aplainar os ânimos e evitar rompimentos desnecessários seja a compreensão das diversidades existentes entre os seres.

Pode-se amar, coexistir e ser diferente (talvez seja até desejável!).

Consequentemente, penso que é fundamental a utilização da diferenciação humana com relação a nossos parentes animais: a fala. Somos capazes de elaborar pensamentos complexos e a elucubração avançada. Dessa forma consegue-se, impulsionado pela mola do compreender, conceber o universo do ser “amado”. Envolto a serenos debates e trocas de informações. Concretização em ambas as mentes o que real acontece e quais os benefícios e ameaças concretas que existem.

Nossos sentidos são limitados e nossa mente ainda mais. Conclamo às testemunhas destas mal traçadas que revejam seus amores, especialmente os antigos e presentemente funestos. De fato valem suas amarguras? Qual a gênese desse Universo escuro e frio?

Por vezes erramos ao entregarmos nossos amores a certos entes. Não raro, por outro lado, nos deixamos levar por fantasmas e enganosamente enterramos em nossas vidas reais e quentes. Por causa de pessoas que, assim como nós, são imperfeitas.

São Paulo, 29 de Outubro de 2010