Celebramos coisas em nossa civilização atual sem saber direito a que se referem. Em geral, não conhecemos profundamente as simbologias. Muitos dos nossos atos recaem em mecanicidades. Fazemos por inércia, porque nossos pais faziam. Quando um símbolo que é um mensageiro de algo perde seu significado, ele deixa de ser eficiente, passa a ser apenas uma peça de decoração. Então percebemos uma superficialização dos símbolos de Natal.

A filosofia busca ajudar o homem que ele viva cada momento de demarca sua vida com a maior consciência possível. E o Natal é repleto de significados interessantes e importantes.

Uma jovem gostava de assar pães para sua família. Só que ela sempre cortava os dois bicos dos pães. O marido fica intrigado: por que você corta os dois bicos do pão? Ela responde que não sabe porque a mãe sempre fazia isso. Eles vão até a mãe dela perguntar e ela responde: não sei, minha mãe me ensinou assim. E eles vão até a avó da moça. Chegando lá, pergunta: vó, por que você corta os dois bicos do pão? Ah, por que meu forno é pequeno.

Uma coisa vai se prolongando pela inércia. Assim, muitos dos símbolos não tem significado para as pessoas em geral ou quando tem é muito pouco. Para a filosofia só tem valor aquilo que é feito conscientemente.

1. O pano de fundo dos símbolos de Natal: o significado do Solstício de Inverno

A palavra Natal vem de nascimento, mas não tem relação com o nascimento especial de uma pessoa, de um mestre como Jesus. Ele era comemorado antes de Cristo e comemorava o Solstício de Inverno. Esse é o pano de fundo dos símbolos de Natal que utilizamos atualmente.

Copiamos as tradições do hemisfério norte. Algumas transposições de datas.

Aqueles que já tiveram em cidades nordestinas. As pessoas se deslocam para a Festa de São João, que possui diversos símbolos de inverno.

Marcações do movimento do Sol e o que isso representava simbolicamente para o homem. Agricultura. Humanos estamos sujeitos às condições da Natureza e do Universo. Uma boa agricultura permitia o nascimento e crescimento de bons homens, saudáveis.

Astronomia e as estações do ano

solstícios e equinociosDe acordo com Johannes Kepler a Terra orbita ao redor do Sol com uma órbita elíptica. E tem 4 pontos importantes, os pontos extremos (solstícios) e os pontos intermediários (equinócios).

Solstício vem de sol estare (sol parado) e equinócio vem de equi noctes (noites iguais). Imaginando a orbita da Terra elíptica com o Sol em um dos focos, quando a Terra está no ponto mais distante, para as pessoas daquele Hemisfério é a noite mais longa do ano. Parece que o Sol não vai mais nascer.

Esse período que vai normalmente de 21 a 24 de Dezembro para o Hemisfério do Norte era conhecido como sol sistere, onde as trevas ameaçavam engolir a luz. Para o Hemisfério Sul são os dias mais longos do ano.

Quando chegamos no solstício de inverno, o calor e a vida naquela região da Terra chegam à sua mínima vibração. Consequentemente, a vida física e metafisica trabalham com compensação. A vida física se recolhe, alguns animais até chegam a hibernar e a vida metafísica tem a sua máxima expansão.

E o contrário vai acontecer no verão. A vida física se expande ao máximo e a metafísica se recolhe.

A tradição indiana costuma comparar esses momentos com o pulsar do coração. Tem um momento de contração e interioração, de trabalhar sentimentos profundos e depois tem seu momento de exteriorização, de expansão. De colocar para o mundo aquilo que descobriu e trabalhou internamente. De oferecer os frutos daquilo que descobrimos no mundo interior.

Isso são os solstícios de inverno e de verão.

Tempos de recolhimento

solstícioQuando temos o solstício de inverno. De acordo com a tradição budista, no Theravada, esse era o momento em que os monges budistas se recolhiam para escrever seus textos sagrados. Todo cânone pali foi escrito nessas estações. Momento propício para a consciência espiritual do Homem, para sua vida interior. Algo de divino se aproxima, ronda o homem. É como se a natureza criasse o berço para que o divino nascesse no homem. Se vai nascer ou não depende da evolução, do esforço, do momento evolutivo que ele vive. Mas toda Natureza se prepara para oferecer aos seres condições para que ele trabalhe sua vida metafísica.

Isso obviamente tem relação com a tradição cristã. O nome que vem da Grécia ‘chrestos’ que significa crucificado, a simbologia dele ser crucificado entre céu e terra e que em um determinado momento vence essa crucificação e ascende aos céus vitorioso.

Assim a Natureza cria os contextos para que os homens conquistem sua espiritualidade.

Os mestres e o Sol

Segundo várias tradições, todo mestre de sabedoria, que vem à terra para ser exemplo, para trazer conhecimento para a humanidade, ele representa simbolicamente a trajetória do sol. Considerava-se que essa trajetória do sol era toda carregada de simbolismos. Então todo esse simbolismo é carregado para a vida desse mestre.

Sol

Se considerar a história de diversos mestres eles passam por certas fases. Por exemplo, a Anunciação, ao acordar de manhã, antes mesmo de conseguir ver o Sol, é possível enxergar a luz aumentando gradativamente. Exposição da luz, jornada diária do Sol, contar para o mundo sua verdade. E então mergulha no horizonte, mergulho nas trevas aos infernos. A vitória nas trevas e a ascensão do corpo glorioso em um renascimento, como o nascer de um novo dia. O solstício que é um dos mais profundos símbolos de Natal lembra essa trajetória.

Esse processo todo do Sol em combate às trevas é observado nos mitos dos grandes mestres. Vários desses mestres, eles que representam simbolicamente o Sol para a Humanidade foram ameaçados de serem engolidos pelas trevas, especialmente quando eram crianças. Recriando a ideia do Sol que sempre era ameaçado de ser engolido pelas trevas.

2. Significado do Presépio

PresepioUm dos símbolos de Natal mais reconhecidos, a manjedoura com o menino Jesus, de um lado um burro e do outro um boi. Dento da tradição indiana existem três formas do homem se manifestar no mundo. Diz que toda vez que homem está no mundo, queira ou não ele estará em ação. É impossível estar no mundo sem ação. Ou ele atua de acordo com a Lei divina, que eles chamam de Dharma (equilíbrio, chamado de satva), ou ele vai errar e o erro é cometido por excesso ou escassez.

O erro por excesso significa uma ação impetuosa, desproporcional e muito além do que é necessário. Ação devastadora, vai rompendo estruturas.

Essa ação devastadora guiada pelo ímpeto muitas vezes é associada ao touro. Por conta do espírito impetuoso desse animal, ele é associado ao touro.

Por outro ado, o erro por inércia, por escassez, popularmente chamado de preguiça. Que nos faz perder a lei da vida. Simbolicamente é associado ao burro, que empaca, que resiste a se movimentar.

Então existe no meio a ação perfeita, equilibrada (satva), o Cristo. A tradição indiana diz que o perfeito é o triângulo, a ação perfeita não é o meio, senão deveríamos estar eternamente medindo o que é excesso ou escassez. A questão é que esse ponto não está geometricamente no meio, mas sim acima.

Devemos ser inspirados pelo sagrado, então a ação perfeita está elevada em relação à escassez ou excesso. E essa elevação é um dos conceitos de um dos mais importantes dos símbolos de Natal.

3. Significado de José e Maria

Dentro da mitologia universal é muito comum que o masculino esteja associado à razão, enquanto que o feminino está normalmente associado á intuição. Diz que um Homem para estar completo ele tem que usar a razão, quando tem que usar razão e intuição quando necessária a intuição.

Algumas vezes o Homem por conta de sua debilidade, de seu materialismo, se desconecta de sua intuição, até duvida que ela exista. E se torna um racionalista. Que acha que pode esgotar os mistérios da vida apenas com a razão.

Maria José JesusO que diz essa tradição? José (razão) jamais conseguiria conceber o divino dentro de casa. Para que esse divino seja trazido, é preciso que Maria conceba sozinha. E ele só vai ter contato com o divino se ele aceitar essa concepção exclusiva de Maria. E a apresenta ao mundo. Esses são símbolos de Natal importantes para compreender os arquétipos envolvidos.

Isso nos apresenta a questão de que é absolutamente impossível compreender o divino através da razão. É um esforço inútil. Por uma questão bastante lógica. Temos que considerar que existe, de acordo com as tradições, a unidade.

O divino é a unidade. O absoluto, ele não pode excluir absolutamente nada. O único atributo que ele possui é ser uno. Nada está fora dele, porque se estiver fora dele, deixa de ser único, passam a ser dois.

Então ele não exclui nada. Todas as coisas compõem ele.

A Razão e a Intuição na Concepção do Divino

integralUm segundo elemento que temos que considerar é que a mente humana é uma ferramenta que não foi feita para trabalhar na unidade. Ela foi feita par trabalhar na multiplicidade, porque a ferramenta fundamental que ela usa para trabalhar é a adjetivação.

Se você quer explicar a algum ser humano como é um objeto que eu tenho em casa, como uma cadeira por exemplo, vou dizer que ela é grande, que ela é macia, que ela é branca e por aí vai. Com esses adjetivos, vou montando em minha mente a imagem do que ela é.

Temos que considerar que nenhum atributo é a unidade, então não podemos utilizar para Deus. Se dizemos que Deus é branco, então Ele não é negro. Se Ele não é negro, então essa característica está fora Dele e Ele perdeu a sua unidade. Já tem Ele e o negro, já tem dois.

Se dissermos que ele é redondo, então ele não é quadrado. Então o quadrado está fora Dele. Novamente temos dois, o redondo e o quadrado.

Qualquer atributo que se dê ao divino faz com que ele perca a divindade. Ele tem todos os atributos simultaneamente senão Ele deixa de ser quem é.

A mente entende multiplicidades

Agora imagina você se a mente humana tem a condição de trabalhar dessa forma. Tentando entender um objeto que um amigo tem em casa: ele é branco, mas também é vermelho, e também é azul, e também é preto. É quadrado e também e redondo, é um retângulo e um trapézio…

A mente não consegue conceber isso, as coisas para ela tem que ter um atributo e eliminar os outros.

A razão trabalha assim. Ela conhece por adjetivação.

Mas para conceber o divino, tem que estar em contato com um ser que tem todos os atributos. Aí entra a intuição, simbolicamente representada por Maria.

Trazendo o divino para o mundo

A intuição humana é capaz de conceber a unidade. Foi feita para isso, é uma linguagem que trabalha no uno enquanto que a razão trabalha na multiplicidade.

A nossa intuição veria os modelos e a nossa razão comunicaria esses modelos ao mundo. Isso seria um Homem completo.

Isso pode ser visto por exemplo no livro Como Vejo o Mundo de Albert Einstein. Ele diz que primeiro ele vê a Relatividade e depois ele explica para o mundo. A intuição permite que ele tenha contato com essa realidade e depois a razão dá conta de explica-la para as pessoas.

Se ele tentasse racionalizar no momento da intuição, não teria visto nada.

Sendo integral

O Homem completo, aquele que agrega valor ao mundo, que vê coisas novas é um Homem que ativa a intuição e a razão.

Se aplicamos essa visão ao divino, um Homem que quer ver Deus através da razão (José), como seria dentro do mito? Quando Maria aparece grávida de um filho que não foi ele que gerou, ele o rejeitaria. A razão não aceitaria nada que não fosse fruto dela mesma.

Essa razão estaria condenada a jamais ter o divino dentro de sua casa. Jamais conhece-lo.

eneias

Na Ilíada de Homero, quando a cidade de troia é destruída e existe uma nova cidade a ser criada, quem sai para dar origem a esse novo mundo, essa nova civilização é um jovem príncipe Enéias. Só que como ele é jovem e forte, mas não tinha sabedoria, ele leva consigo seu pai, Anquises. Seu pai era velho, sábio, mas não tinha força física para caminhar. Então Eneias coloca seu pai sobre os ombros, e sai em busca de um lugar que fosse propicio para sua nova cidade. Então encontra Lascio, que viria a ser Roma.

Assim, o encontro das pernas de Eneias (razão) com os olhos de Anquises (intuição) torna possível a fundação de um novo lugar para existir. A intuição capta o divino e a razão a executa.

4. Significado dos Reis Magos

reis magosSão reis que se tornaram símbolos de Natal. Eles vem uma luz, vem uma estrela e que percebem que aquela estrela anuncia para eles o advento de um ser especial, um ser divino. E saem cavalgando com determinação em seus camelos, transpondo qualquer dificuldade que encontrem no caminho.

Com essa vontade de seguir a luz, acabam por alcançar o nascimento do divino. Esse é um dos símbolos de Natal que fala sobre a busca do autoaperfeiçoamento.

O homem que vê a luz, que sempre representa a Sabedoria, e se apaixona por ela. Amor à sabedoria que é a Filosofia. E sai seguindo na vida, sem parar ou desviar seu caminho nos obstáculos da vida na direção dela. Um belo dia vai alcançar o nascimento do divino não apenas fora dele, mas dentro de si.

 Ouro, Incenso e Mirra

Isso pode ser visto nos presentes que os reis magos oferecem ao menino Jesus, sendo três importantes símbolos de Natal. Em diversas tradições é tido que o Homem é subdividido em certas estruturas. Nesse caso em três estruturas, os três corpos do Homem segundo a tradição grega: o elemento físico (que chamavam de Soma – usamos até hoje esse prefixo, quando existe algum problema físico, chamamos de somático), o nível psíquico (chamado de Psiquê) e o nível espiritual que é Noos.

ouro incenso mirraO alinhamento do espiritual, do psíquico e do físico que formam uma ponte para trazer o divino ao mundo é representado simbolicamente pelos três presentes que são dados pelos reis magos.

O ouro que é o espiritual, o incenso que é a psique que se dissolve, que se gasta as suas energias em função do sagrado e a mirra que é a base física que se queima nesse oficio da vida.

Então os três elementos que são dados ao Cristo representam os três corpos humano: o espirito, a psique e o corpo. Representam que é possível nascer algo de divino dentro de qualquer ser humano, desde que estejam alinhados esses três mundos na sua busca da sabedoria.

Assim, o Homem que se apaixona pela sabedoria, busca incansavelmente colocar esses três mundos aos pés do divino.

5. Significado da Estrela de Cinco Pontas

estrela cinco pontasEsse é um dos mais antigos símbolos da história da humanidade e sempre é utilizado quando montamos nossa árvore de Natal, estando no topo dos símbolos de Natal mais lembrados.

Muitas vezes não fazemos ideia do que significa ou temos um conceito errado sobre ela.

Pitágoras usava esse símbolo em sua escola e chamava ele de pentalfa que caracteriza o número cinco.

homem vitruvianoA Estrela de Cinco Pontas é a estrela do homem. Isso nos lembra a representação do homem de Da Vinci, o Homem Vitruviano.

Mostra o homem exatamente circunscrito numa estrela de cinco pontas. Ou seja, representa o elemento humano.

Numerologia

Considerava-se que toda manifestação começa na Unidade (número 1), quando a manifestação prossegue existe o número 2 que é a dualidade espírito-matéria quando essa dualidade prossegue ela passa a habitar de várias formas no universo manifestado, nascendo o número 3 (trindade: espírito-matéria-forma); num determinado momento esse número 3 gera toda multiplicidade de seres do universo, que é o número quatro (terra, água, fogo e ar).

Quando esses quatro elementos da manifestação material nasce a consciência espiritual, a consciência reflexiva nasce o numero cinco, que é o triangulozinho que se impõe sobre os quatro elementos. O símbolo do homem, quando o triângulo se impõe sobre o quaternário da matéria

Consciência sobre a matéria

O homem é aquele que ser que para cumprir o seu papel, impõe sua consciência sobre sua base material. E a estrela de cinco pontas sempre é a representação disso. Então quando temos a representação do presépio, dos reis magos, toda essa cena é coroada com a estrela de cinco pontas.

Esse é o nascimento de um ser verdadeiramente humano, onde os princípios espirituais reinam soberanos sobre sua base material. Representa um marco.

bafoméEsse mesmo símbolo, também chamado de Estrela de Davi, era utilizado pelos Cavaleiros Templários, tanto em sua forma original, como também o seu oposto. Eles pegavam essa mesma estrela e viravam de cabeça para baixo. E a partir dessa estrela invertida eles diziam que era quando o os quatro elementos materiais dominavam a consciência humana. Que aí esse ser animalizado eles chamavam de Bafomé, o Bode, o ser animal como se fosse o Minotauro, onde a cabeça animal dominou a parte humana.

E esse Bafomé era muitas vezes visto dentro dos símbolos dos templários. Era algo para advertir a consciência do homem para o que poderia acontecer com ele se os princípios espirituais não sobrepujassem a matéria.

Muitas vezes vemos esse símbolo (em sua forma normal ou invertida) e ignoramos que representa uma forma de vida, um modelo de comportamento, um estilo de existência nesse mundo. Em uma árvore de Natal vemos esse que é um dos símbolos de Natal no alta de cada árvore natalina.

6. Significado da Árvore de Natal

arvore da vidaO simbolismo da árvore é um dos mais antigos da Humanidade, aparecendo em todos os símbolos de Natal ao redor do mundo. É muito comum ente os celtas A Árvore da Vida. Ela é uma árvore virada de cabeça para baixo, eles consideravam que na verdade todas ramificações, todo corpo da árvore tiram seus nutrientes das raízes dela.

Só que eles consideravam que as raízes da verdadeira árvore da vida estavam mergulhadas no mundo espiritual e a ramificação era o mundo manifestado. Então todas aquelas bolinhas e luzes penduradas na árvore de Natal nada mais é do que o cosmos, com suas estrelas, seus planetas que é uma ramificação visível de uma raiz que existe no invisível.

Se formos ser bem fiéis à tradição, nossa árvore teria que ser de cabeça para baixo.

Entre os celtas existir uma admiração particularmente importante pelas árvores, especialmente pelo carvalho. O pinheiro tem-se que é uma instituição que passou a ser utilizada na Idade Média.

Símbolo dos cones

Podemos perceber que uma conífera como o pinheiro tem uma forma importante simbolicamente (cone) que é muito equivalente segundo essas tradições celtas à ideia das pirâmides egípcias ou a ideia do triângulo para os indianos. Representa o número três, o símbolo do espírito, da trindade. Essa trindade que está presente em várias religiões: Pai-Filho-Espírito Santo; Brahma-Vishunu-Shiva, Isís-Osíris-Horus, Ormus-Maia-Mitra.

Para os celtas, essa trindade podia ser representada em uma forma de cone, como das árvores.

Deus Cernunnos

cernunnosExistia um deus celta chamado Cernunnos, que tinha chifres. Ou seja, possuía cones que captava as energias espirituais e plasmava sobre a Terra.

Com a chegada da Idade Média, Cernunnos através do sincretismo foi associado ao símbolo medieval do Diabo (chifrudo e com pernas de bode).

A simbologia do chifre também pode ser encontrada na Cornucópia, que é um cone colocado no final do arco-íris cheio de moedas de ouro.

São símbolos assim como o pinheiro que representam o número três: a captação das energias celestes e a sua transmissão para o plano terrestre. Dessa forma, esse é uma das fontes de inspiração dos símbolos de Natal relacionados à trindade.

7. Significado do Papai Noel

ancião dos diasVamos ver mais um dos principais símbolos de Natal. Novamente voltando ao mundo celta, eles tinham divindade que era o Ancião dos Dias que vivia andando pelas neves com uma roupa vermelha e salvando pessoas que estavam em situações difíceis.

Era tido como um espírito benéfico, um espírito bondoso. Não propriamente um deus, mas um espírito.

E o fogo vermelho do espírito estava vagando sobre a neve da matéria.

O espírito penetrando na neve (na matéria) para despertar os Homens.

São Nicolau

Posteriormente, na cidade de Mira na Ásia Menor em 274 d.C., Nicolau (que depois ficou conhecido como São Nicolau de Mira). Ele vivia nessa cidade e tinha muitas posses materiais e também tinha uma grande generosidade.

são nicolauCerta vez, ele descobre que tinha um vizinho que era bastante pobre e tinha três filhas. Nessa época, não se casava uma filha se não tivesse um dote. E as meninas se aproximam da idade do casamento e ficam na iminência de não conseguirem um casamento. O que era muito grave.

Aí Nicolau faz uma bolsa de moedas de ouro e pé ante pé vai na janela desse vizinho e coloca essa bolsa dentro da casa dele. Faz isso para que o vizinho não perceba quem foi.

E assim ele casa a primeira filha.

Algum tempo depois chega a vez da segunda filha estar em idade de se casar. Novamente Nicolau faz uma bolsinha de ouro, vai pé ante pé na janela do vizinho e coloca a bolsa dentro da casa dele.

Quando chega a idade da terceira filha se casar, o vizinho fica de sobreaviso para descobrir quem é o benfeitor dele. Então fica em uma posição em que consegue observar a janela e fica algumas noites ali.

Até que uma noite ele vê Nicolau chegando e colocando a bolsa pela janela. Percebe então que a generosidade de Nicolau era ainda maior porque não queria que soubessem que era ele que fazia essa beneficência.

Reconhecimento

Essa história corre por toda cidade, Nicolau ganha ainda mais reconhecimento. Mais tarde Nicolau torna-se bispo e continua sua dedicação em prol dos necessitados. Suas ações permitiram a inspiração para um dos mais conhecidos símbolos de Natal.

Esse Nicolau que é adorado sobretudo na Itália (seus restos mortais estão na cidade de Bari) com o tempo foi sedimentando uma imagem de um ancião bondoso que andava pelas cidades com as três bolsinhas de ouro que Nicolau havia dado.  Começou a ser representados em santos, em imagens para adoração.

Com o passar do tempo, nesse sincretismo, o Ancião dos Dias e São Nicolau começam a se fundir. Em pouco tempo ele está vestido de vermelho e as três bolsinhas passam a ser uma bolsa só. E já não é mais ouro, agora são brinquedos. E toda história vai ganhando corpo e outras imagens.

A Coca-Cola criou o Papai Noel?

papai noel coca colaEssa imagem que temos hoje do Papai Noel, que acreditamos ser a única e que sempre foi dessa maneira, na verdade foi criada por um cartunista da Coca-Cola chamado Thomas Nast.

Apareceu em um cartaz da marca de refrigerante em 1931.

Então, a imagem de um velhinho com as bochechas rosadas, com as vestes com lã branca nas mangas, cinturão e botas pretas, tudo isso foi curiosamente criado pela Coca-Cola.

E essa imagem passou a ser associada exclusivamente ao Papai Noel.

Importância do símbolo do Papai Noel

A simbologia do Papai Noel é muito importante para lembrarmos a importante da bondade, da generosidade, especialmente esse vermelho do calor do coração humano, espírito e do amor em meio a um cenário de neve, do frio da indiferença, do egoísmo e do materialismo.

Uma ação que não se deixa engolir pela neve, que não se deixa abalar pelo frio. Que está constantemente trabalhando em benefício do próximo. Em busca do bem, do belo e do justo.

Esse simbolismo é capaz de incutir em nossas crianças (e em nós mesmos) verdades morais importantes para a sociedade e para o ser humano que queremos desenvolver. Assim, os mitos como sintetizadores e transmissores de bons conceitos são sadios para as crianças. Independentemente da verdade factual.

8. Significado das Velas e Círios

velas

Símbolos de Natal também relacionados à simbologia celta. Por ser Solstício de Inverno, que traz a escuridão na Terra, as velas e os círios (grandes velas de cera) trazem um pouco da luz do Sol para dentro das casas. Como se declarasse tacitamente: eu me alio à luz, sou aliado do Sol na luta contra a Escuridão.

Gera um pouco de luz na Terra para ajudar na batalha do Sol contra as Trevas.

A vela é uma representação muitas vezes utilizada do próprio Homem: um suporte material para gerar luz. Quando ele se dedica a fazer o que é próprio do ser humano, ele gera luz. Mas ao gerar essa luz, a vela vai se consumindo, se dissolvendo, deixando de existir enquanto vela. Porém cumpre sua função, ela é como qualquer ser manifestado, que vai se extinguir em dado momento. Mas quando ela é acesa, gerando luz, fogo, calor, ela deixa de existir tendo cumprido sua função: trouxe luz ao mundo.

Cumprindo sua função

Se tivermos pena de acender uma vela, ela não vai durar para sempre, em dado momento ela se resseca, vira pó, porém sem ter cumprido o seu papel no mundo que era gerar luz, sem jamais ter conquistado a identidade que lhe correspondia. Deixa de existir como um outro objeto, que não vela. Ela é vela, quando gera luz.

Assim é com os Homens, que mesmo sem cumprirem suas missões nessa vida, ainda assim um dia perderão sua porção física.

Dessa forma, quando acendemos velas em celebrações, não é como se estivéssemos presenteando o divino, mas demonstrando aquilo que queremos ser. Queremos ser um ser que vai deixar de existir sobre a Terra, porque somos mortais e isso é inexorável, mas queremos deixar de existir cumprindo nossa função, gerando luz, aliando-se à grande luz do Universo, que é o divino.

9. Significado dos Presentes

Essa instituição não existe desde muito tempo, remonta à Idade Moderna, onde se utilizava velas como presente. Para representar a presença da luz, do fogo, a presença do luminoso. Presente está associado a Presença. Relembrar o Homem a presença do divino nesse momento tão mágico e tão especial do ano. Atualmente são símbolos de Natal onde se oferece qualquer objeto, perdendo-se um pouco da profundidade de sua natureza.

10. Significado do Javali, do Porco e da Maçã

São outros símbolos de Natal que vem da tradição celta. Haviam dois animais: o porco e o javali. Que são muito parecidos. O javali tem os dentes proeminente, novamente remontando ao símbolo do cone, ou seja, o plano material que o porco representa, instintivo, sujeito ao cone que representa o espírito. Pelo javali eles tinham grande admiração e respeito, enquanto que pelo porco eles tinham desprezo. São símbolos de Natal que aparecem para nós em grande parte quando usamos bacon ou tender em nossas festividades.

A maçã está associada ao simbolismo do coração humano. Até a maçã da Branca de Neve tem a ver com isso: ela adormece na matéria porque seu coração (sua maçã) ainda tinha desejos, ela aceita a maçã porque ainda tinha desejos. Para os budistas, a principal causa do sofrimento humano está no desejo, nas vontades e na submissão do ser humano na busca por aquilo que deseja, na angústia da busca ou na possibilidade da perda. Ao fazer uma torta de maçã nessa época do ano, está sendo lembrado esse símbolo de Natal.

Quando colocamos sobre a mesa um porco com uma maçã na boca é como se nesse Solstício de Inverno tivéssemos nos proposto a matar esses instintos que aprisionam o coração humano. Darmos um pouco de espaço para que aquilo que existe de espiritual em nós venha ao mundo, nem que seja apenas por um momento.

Para que tenhamos um referencial espiritual para o resto de nosso ciclo, para o resto de nossa vida.

11. Significado da Estrela de Belém

estrela de belemJohannes Kepler descobriu que muito provavelmente a Estrela de Belém foi uma conjunção dos planetas Júpiter e Saturno, que teria acontecido na verdade no ano de 7 a.C.

Esse é um dos símbolos de Natal que acredita-se que realmente aconteceu e que dá uma ideia importante sobre eventos relacionados à data.

É curioso notar que os reis magos que eram sacerdotes de Zoroastro eram grandes astrólogos e acreditavam que esses fenômenos celestes anunciavam eventos importantes na Terra. No caso da conjunção de Júpiter com Saturno, prenunciava o nascimento de um rei, quer da Terra, quer do Céu.

Com relação à data de Natal, considerando que a Estrela de Belém é um fato histórico, então a data mais provável do nascimento de Jesus tenha sido em 7a.C., é importante notar que a data que comemoramos o Natal foi alterada ao longo da história por sete vezes.

Durante a Idade Média as datas foram: 2 de janeiro; 28 de março; 19 de abril; 20 de maio; 29 de setembro; 6 de janeiro (dia de reis); e finalmente 25 de dezembro exatamente para coincidir com o Solstício de Inverno.

Isso aconteceu porque havia uma resistência muito grande nas celebrações célticas do Solstício de Inverno, então para suprimir essas festividades, a celebração foi passada esse dia. Isso teria acontecido em 324 d.C. na época do sacerdote Filocalos, que criou o calendário filocaliano.  Ele que transferiu a data de Natal para 25 de dezembro, até então não era assim.

A compreensão nos torna mais sábios

papai noelAo compreendermos os simbolismos e a oportunidade que ano após ano a natureza nos oferece para nos tornarmos mais sábios, criando em nós especialmente nessa época do ano as condições para que ocupemos esse berço que a Natureza cria com algo de divino, algo de superior traduzido em forma de harmonia, de amor, de generosidade, de fraternidade. Sentimentos e evocações trazidos na época de Natal. Que em algum momento trabalhemos para que nesse Solstício de Inverno nasça algo em nós.

E nesse momento poderemos dizer que estamos vivendo um verdadeiro Natal, até então estamos repetindo as condições. Se não soubermos o significado dos símbolos de Natal, é como se ano após ano estivéssemos servindo um banquete, uma mesa farta de alimentos e bebidas gostosas, com uma louça maravilhosa, e nunca os convidados se sentassem à mesa e desfrutassem desse banquete.

Todos os anos a Natureza prepara esse banquete e nós ainda não nos sentamos à mesa e não aproveitamos convenientemente. Compreendendo com mais profundidade os símbolos e propiciando o nascimento de algo divino em nós. Isso que seria viver o verdadeiro Natal. E ajuda demais nessa jornada conhecer os símbolos de Natal.

A consciência é o grande valorizador da vida.