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Você já sentiu Schadenfreude?

//Você já sentiu Schadenfreude?

Acredito que nunca ninguém havia feito essa pergunta a você, assim como tenho certeza que todos nós, pelo menos uma vez na vida sentimos ou presenciamos seus efeitos. E é algo que não é nem um pouco bonito.

Schadenfreude não tem tradução direta do alemão para o português, mas seria algo como “alegria ao dano” (Schaden “dano, prejuízo” e Freude “alegria, prazer”). Ou seja, é aquele sentimento que uma pessoa tem quando vê a outra sofrendo. Verdadeiramente diabólico como diz Schopenhauer.

Quando alguma pessoa rica é presa, uma celebridade se separa, um lutador acerta um golpe na cara do outro, passa uma videocassetada na TV, um colega mais frágil na escola, um filme tem muitos tiros e sangue, um time rival perde uma final de campeonato, são exemplos de potenciais disparadores de schadenfreude. Nasce um prazer por ver alguém sofrer.

Isso acontece, como explica Eckhart Tolle em seu O Despertar de Uma Nova Consciência, porque pessoas que estão muito identificadas com seus egos, precisam presenciar o fracasso de outros para se sentirem bem com suas próprias vidas. É algo como se ao perceber que existe alguém pior que você, sua vida não é tão ruim assim (afinal, existe alguém em pior situação).

O conjunto do sofrimento em sua existência é o que se alegra ao se identificar com a tristeza do próximo. Nas palavras de Tolle, chama esse conjunto de corpos de dor que se alimentam de outras dores. Esses corpos de dor são o conjunto de tristezas, mágoas e decepções que uma pessoa acumula durante sua vida e que quando são grande e não trabalhados, passam a atrair e se deliciar com coisas negativas.

As vidas de quem tem grandes corpos de dor são desinteressantes e entristecedoras e elas precisam olhar para a vida do outro para poder trazer algo que pareça interessante para sua mente. Claro que essa satisfação é transitória e claro que precisa de constante alimentação, de novas desgraças.

A crítica e o julgamento alimentam o ego.

Como vivemos regidos pela alimentação do ego e pela identificação com as coisas e com os comportamentos, o que mais chama a atenção são coisas ruins. Notícias nos jornais, temas de músicas, brigas no vizinho.

Esse sentimento pode ser discreto e ficar apenas no interior de uma pessoa ou então pode se tornar público, com a forma de ironia, escárnio ou sarcasmo.

Quando ouvirmos alguém dizer: “bem feito”, “teve o que merecia” ou “sabia que ia dar errado”, temos que tomar cuidado para não estarmos presenciando um grande ego que vive na torcida para ver desgraças e assim, trazer sentido e breve satisfação pelo mal que o outro está passando.

Mesmo que eventualmente alguma justiça esteja sendo feita (um bandido sendo preso) não devemos ficar felizes com isso. Afastar a emoção é um desafio, agora como se alegrar com a consequência negativa de um ato igualmente negativo? Na verdade o nosso pesar deveria ser duplo.

Com relação ao que alegra as pessoas quando algo de bom acontece com elas existe um fenômeno curioso que descobri uma pesquisa que concluiu que a percepção de felicidade em uma parcela significativa das pessoas era absolutamente comparativa. Ou seja, dependia da situação de quem estava em seu círculo social no mesmo contexto.

A pesquisa era se os entrevistados preferiam ganhar um carro usado e seu vizinho um carro do ano ou ninguém ganhar nada. A maioria escolheu a segunda opção. Perceba que não tem nada a ver com o fato em si, mas com a comparação.

É aquela sensação que aparece às vezes nas filas do supermercado: ficamos contentes se estamos na menor fila ou a que parece ser mais rápida (quase nunca, não é mesmo?), mas tristes e impacientes se percebermos que existe uma fila menor ou que parece andar mais depressa.

Claro que não precisa ser assim, não é saudável nem para a autoestima, nem para as amizades. Podemos nos alegrar com a felicidade alheia. Para isso, devemos deixar de lado o nosso ego, a nossa falsa identificação com um ‘eu’, com uma individualidade que precisa ser protegida, cuidada e mimada.

Uma excelente estratégia é não nos deixarmos afetar pela maldade ou ignorância dos outros e buscar nos preocuparmos com nossos caminhos. Conseguir se afastar de pessoas que entristecem e que contaminam com suas faz muito bem

Com relação à vida das outras pessoas, deixemos que elas sejam felizes e, caso caiam por alguma razão, que tenham espaço e energia para se levantarem. E quem sabe, possam contar com nosso sorriso, mas não de escárnio e sim de compaixão.

“Neid zu fühlen ist menschlich, Schadenfreude zu genießen teuflisch.” (Arthur Schopenhauer)

“É humano sentir inveja e diabólico deleitar-se com a Schadenfreude.”

Gostou? Se quiser conversar comigo, pode me escrever: marco@institutoloureiro.com.br, adoro trocar ideias sobre assuntos bacanas! Valeu!

Por | 2017-03-16T08:17:36+00:00 10 março 2017|Conheça a si mesmo|

Sobre o Autor:

Presidente do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano e da Novah Agência de Comunicação. Desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, escritor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante. Pesquisador e um dos pioneiros da aplicação integrada de técnicas e conceitos de Pedagogia, Coaching, Mentoring e Ayurveda no desenvolvimento de pessoas. Atuou durante mais de 20 anos como professor e palestrante, tendo desenvolvido milhares de pessoas ao longo desse período. Cursou Engenharia Civil, Bacharelado em Estatística, Licenciatura de Matemática e Marketing com especializações nas áreas de Psicologia, Educação, Marketing e Astronomia, pelas instituições USP, FGV, FAAP, UNIP. Violonista clássico, geek e colecionador de livros e documentos raros.

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