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TazerCraft Party: entendendo a nova geração

Análise Coach

//TazerCraft Party: entendendo a nova geração

Com a velocidade das mudanças, muitas pessoas tem dificuldade para entender as novas gerações. O TazerCraft se comunica incrivelmente bem com as crianças e pode mostrar aos adultos o que os pequenos pensam e querem.

Sabendo como está sendo moldada a mente das crianças, podemos compreender a construção dos valores e das crenças desses futuros adultos. Do que eles gostam? Quais seus sonhos? Como gostam de se relacionar? Quem são os seus modelos?

Para aprofundar no universo e na mente dos jovens, fui até a TazerCraft Party em São Paulo (18) e conto pra vocês o que descobri.

Tive essa ideia quando meu filho de 9 anos pediu para ir nesse evento como presente de aniversário. Aceitei. Além de curtir a companhia dele, pude fazer minha observação social.

Como coach, descobri uma série de mecanismos mentais que levam à existência desses fenômenos. E como isso impacta no desenvolvimento de nossas crianças.

Se você é pai, professor, coach ou mentor, aqui vamos explorar o ambiente que nossos pequenos estão inseridos. Com base nesses formadores de opinião, eles veem a si mesmo e o mundo. Dentro desse contexto, entram as atuações no mundo real daqueles que estão educando fisicamente no cotidiano.

Obs.: Se você é um empresário, tomador de decisão, é excelente conhecer como estão sendo moldadas as novas forças de trabalho. Não é raro encontrarmos no meio corporativo choques de gerações, aprofundado por causa de estilos de vida, visões de mundo e modelos de carreira bem diferentes.

O que é TazerCraft?

Pra quem não conhece, TazerCraft é uma dupla de jovens Youtubers conhecidos como Pac (20) e Mike (19). Eles publicam capturas de suas jogadas (gameplays) de títulos como Minecraft, Five Nights at Freddy’s entre outros games para PC. enquanto jogam, fazem brincadeiras, comentários e dão dicas.

Aqui está o link para o seu canal no Youtube.

Quem assiste, parece que você está vendo um amigo seu jogar. E acredito que esse seja um dos ingredientes mágicos desse sucesso. A sensação de proximidade, com uma linguagem acessível, gera vínculo entre as crianças e os youtubers.

Essa dupla começou a postar vídeos em 2011 e a maioria do seu público são crianças entre 6 e 10 anos.

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Se bateu aquela curiosidade, aqui está o vídeo mais popular do canal TazerCraft:

Como foi a TazerCrafty Party?

Obviamente tinha muita criança. Muita. Elas estavam com seus pais, um tanto perdidos com a enxurrada de referências, as falas e personagens. De qualquer maneira, tudo era festa para os pequenos conhecerem seus heróis.

Música extremamente alta, luzes, alguma desorganização e confusões, enfim o show iria começar. Confesso que nunca tinha visto nenhum vídeo deles, queria ter o impacto da novidade.

Quando os astros Pac e Mike entraram no palco, delírio das crianças. Fiquei impressionado com a admiração e devoção que aqueles pequenos verdadeiramente sentem por aqueles jovens ídolos. Você poderia facilmente encontrar um deles no Ensino Médio de uma escola de classe média.

Eram verdadeiramente pessoas comuns daquelas que você já deve ter visto aos montes na rua. Obviamente existia algo a mais, tinham uma aura mágica, despertavam fascínio naquelas mentes em desenvolvimento.

Fiquei mais curioso ainda: o que eles tinham ou faziam de tão especial? Com o show fui entendendo porque as crianças gostavam tanto deles e o que elas buscam.

Começou o show com esse vídeo que veio com uma coreografia deles:

Não percebi muita animação com relação e ele, pouco engajamento da platéia. Percebi que eles mesmos estavam meio constrangidos em fazer alguns passos junto com a música. Talvez tenha sido orientação que tenham recebido, mas não era a praia deles.

Primeira visão – ouvem a criança na essência

Terminada a música, usaram todo seu carisma para engajar a plateia, falando de forma natural e demonstrando interesse nos pequenos, especialmente em suas ideias e opiniões. Perguntaram o que eles achavam do canal, abriam espaço para que as crianças falassem, perguntavam o que acharam das séries novas.

Nessa hora acionou o Alerta Coach da minha cabeça: eles oferecem ao seu público uma das necessidades básicas humanas, ouvir o outro na essência. Quando alguém percebe que o outro para tudo para prestar atenção nele, ganha na hora sua simpatia.

Pense pela mente de uma criança. Ela vive em um mundo de gigantes (adultos), que muitas vezes não tem tempo para elas, para compartilhar o mundo delas, entender seus sentimentos e experiências. Quando se deparam com alguém que é maior que eles e que dá moral para o que dizem. BUM! Os pequenos gostam deles.

Eu estava começando a entender.

Começaram então a jogar Clustertruck em um notebook, com a tela sendo projetada para todos verem. (Se você nunca ouviu falar desse jogo, clique aqui.)

Isso me chamou atenção, porque a relação passou a ser mediada pela tecnologia, como foi construída entre eles antes desse evento. Nessa hora a coisa ganhou outra dimensão.

Segundo visão – compartilham aventuras com a criança

Os ânimos ficaram nas alturas, as crianças se engajaram de modo frenético nos desafios do jogo. E quando a fase era concluída, o Mike (que era quem jogava melhor) era tido como um herói.

Nessa hora veio uma segunda visão: eles compartilhavam aventuras! Jack Shaffer, Ph.D, em Manual de persuasão do FBI conta que uma forma para estabelecer fortes laços de amizade é passar por desafios juntos. Quanto mais perigosa a experiência, mais forte será o vínculo.

Como a mente não diferencia muito bem fantasia de realidade, especialmente nas crianças, os desafios ganham cores emocionais extremamente fortes.

Terceira visão – dão a sensação de proteção para a criança

Quando Pac e Mike estava em situações que poderiam perder no jogo, caindo do caminhão, por exemplo, as crianças fechavam os olhos e gritavam com medo. Nessa mesma hora eles acalmavam seus pupilos, dizendo que tudo estava sob controle, que tudo iria acabar bem.

BUM! Terceiro ponto central do vínculo criado: crianças gostam (e precisam) de proteção. Elas querem se aventurar, conhecer o mundo, mas também tem a necessidade de se sentir segura em um mundo novo e cheio de perigos. Isso explica o tamanho da audiência do vídeo mais popular no canal que eu coloquei em cima.

Ele é um jogo de terror (Five Night at Freddy’s), que é explorado pelos seus dois amigos, enquanto a criança fica segura do outro lado da tela, descobrindo os segredos, experimentando emoções, porém sem o risco de dar errado.

E caso dê algo errado, a culpa não foi dela. E é só reiniciar a fase. É seguro, acompanhado e exploratório.

Isso se repetiu quando no final do show passou um vídeo do vilão do Minecraft (que se você quiser saber, chama Herobrine) onde eles juntos, com suas espadas de espuma, o derrotam. Vencer o mal, trazer ordem, bondade.

Mundo seguro, vida que segue.

Quarta visão – compartilham interesses e falar a mesma língua da criança

No final do espetáculo, Pac e Mike chamaram dois amigos Youtubers (Febatista e Cafeínado) para brincar de esconde-esconde no Minecraft. Pelo que eu entendi esse é um dos carros-chefe do TazerCraft.

Ou seja, é o mesmo interesse de crianças de outras gerações, só que agora ao invés de brincar fisicamente, usam um espaço eletrônico para isso. No lugar de jardim e rua, eles brincam de esconde-esconde no quarto do Toy Story.

Tudo aquilo que é fácil de entender e faz parte de sua lista de interesses, gera atenção e engajamento. Fazendo o que as crianças fazem, com uma linguagem simples, direta e descontraída, eles ganham o amor delas. TazerCraft usa uma fórmula simples: Pac e Mike brincam como crianças.

Muitos adultos pecam por tentar falar com as crianças como se fossem pequenos adultos. O foco tem que estar em quem está sendo desenvolvido.

Você já jogou ou pelo menos viu com atenção os jogos que seus filhos ou alunos estão entretidos? Já parou pra pensar como elas falam entre si? Experimente. Vai levar a outra dimensão sua visão do mundo delas.

Quinta visão – eles ensinam e orientam as crianças

Crianças precisam saber que podem contar com alguém mais experiente para contar como o mundo funciona. Isso reduz a ansiedade delas em uma vida que muitas coisas são desconhecidas. Ter um mentor, alguém que se importa e oferece tempo para ensiná-las, conquista sua atenção, afeto e gratidão.

Entendo que é uma relação desigual, uma vez que os pais, professores e outros adultos do dia a dia real tem suas atividades, enquanto vídeos (como os do canal TazerCraft) estão ali 24 horas por dia.

Porém, aqui fica o convite para pensar se existe oportunidades para estar mais tempo com os pequenos, transmitindo um pouco de sua experiência.

Sexta visão – mostram que gostam da criança

Gostamos de quem gosta de nós. Quando somos recebidos com um sorriso nos sentimos acolhidos. Com bom humor e receptividade, o TazerCraft atinge em cheio essa característica do ser humano. As crianças vão ficar mais próximas de quem elas percebem que gosta delas.

Adultos mal-humorados, que vivem reclamando pelos cantos, que estão com as caras fechadas costumam afastar as pessoas de si. Se forem crianças, assustarão ainda mais.

Ao estar em contato com alguém que aprecia sua companhia, além da criança se sentir segura, ela também desenvolve sua autoestima e amor próprio. Isso acontece porque ela percebe que seu jeito é aceito pelo adulto. Ela passa a gostar um pouco mais de si mesma.

Qual o resultado disso?

Com esse panorama, podemos entender que crianças querem se divertir, serem vistas, respeitadas e ter modelos nos quais possam se inspirar e seguir.

Muitas vezes existe um deslocamento dessas referências para o mundo virtual, onde os melhores amigos dos jovens são virtuais ou até mesmo os amigos reais se comunicam através da tecnologia.

O outro lado da moeda é que isso enfraquece as relações interpessoais. Com relacionamentos assim, perde-se a habilidade de entender o outro, os seus sinais não verbais, captar as suas emoções e pensamentos.

As crianças crescem sem saber se relacionar direito com humanos. Elas conseguem falar muito bem entre si por texto, personagens e emojis, porém se perdem quando tem que se expressar pessoalmente, cara a cara.

Claro que existem mercado que buscam alimentar essas tendências e o TazerCraft surfa nelas. O que é muito natural. Porém aqueles que na vida real interagem ou vão interagir com essas crianças, devem ter em mente esse contexto.

Essas competências socioemocionais muitas vezes não são desenvolvidas e são fundamentais para a vida em sociedade.

Os jogos eletrônicos são excelentes fontes de desenvolvimento mental, porém tudo na vida tem que ter equilíbrio. Amigos virtuais (os Youtubers incluídos) são bons porque expandem os horizontes, canalizam tendências. Se eles espalham bons preceitos e valores, tanto melhor. Porém nada substitui amigos de verdade, experiências reais, em uma vida real.

As crianças e jovens são extremamente boas em algumas áreas e precisam de orientação em outras. Nosso papel enquanto desenvolvedor é identificar esse mapa de habilidades e utilizá-lo de forma proveitosa.

Temos a oportunidade para ampliar as competências que foram deixadas para trás e que são fundamentais para ter uma boa vida consigo mesmo e com a sociedade. Personagens de um jogo real: a vida.

Por | 2018-06-06T11:19:10+00:00 23 março 2017|Análise|

Sobre o Autor:

Presidente do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano e da Novah Agência de Comunicação. Desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, escritor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante. Pesquisador e um dos pioneiros da aplicação integrada de técnicas e conceitos de Pedagogia, Coaching, Mentoring e Ayurveda no desenvolvimento de pessoas. Atuou durante mais de 20 anos como professor e palestrante, tendo desenvolvido milhares de pessoas ao longo desse período. Cursou Engenharia Civil, Bacharelado em Estatística, Licenciatura de Matemática e Marketing com especializações nas áreas de Psicologia, Educação, Marketing e Astronomia, pelas instituições USP, FGV, FAAP, UNIP. Violonista clássico, geek e colecionador de livros e documentos raros.

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