“Como saber se estou em um relacionamento abusivo?” Se essa dúvida passa pela sua cabeça, é possível que algo não esteja bom em alguma relação. Muitas vezes uma pessoa se encontra em uma relação tóxica, sente que algo não está bem, mas não sabe dizer o que está acontecendo de errado. Para saber se você está em uma relação abusiva ou se você é um abusador, vamos conversar sobre 4 princípios éticos que vão ajudar você a saber se está tudo certo ou se é preciso dar um basta nessa situação.

4 Princípios éticos para avaliar um relacionamento abusivo

Para avaliar se um relacionamento é abusivo, podemos usar os princípios da Ética Médica, como proposto no livro Propedêutica Médica de Barbara Bates. Beneficência, Não-Maleficência, Autonomia e Justiça e Equidade. Assim, pense sobre cada um deles como sendo um filtro, se algum falhar, pode ser um sinal de que você esteja em um relacionamento abusivo. Reflita se é isso que você quer para sua vida.

Cuidado com os jogos físicos, emocionais e mentais. Muitas pessoas tem algum tipo de poder e usam isso para se aproveitar de quem está perto delas. Por outro lado, o mundo é enorme com várias oportunidades para sua vida. Não lhe conheço, mas sei que você tem sonhos, medos, angústias e desejos. Isso é normal e está tudo bem. Porém, lembre-se de que sua situação atual não é um destino, mas apenas o final de uma jornada que lhe trouxe até aqui. O futuro é você que vai construir, um dia depois do outro.

Caso você esteja infelizmente em um relacionamento abusivo, seja em sua casa ou no trabalho, dê um basta nisso, porque ninguém merece estar em uma situação que suas necessidades básicas não são atendidas. Dessa maneira, o seu destino é ser feliz e livre.

1. Beneficência

Esse relacionamento traz coisas boas para todos? Existe um benefício que é compartilhado ou ele é apenas recebido por uma das partes e a outra sente que está em ‘dívida’ por mais que aja para agradar? Apenas um relacionamento saudável gera coisas boas para todo mundo que está envolvido nele (esposa, marido, filhos, chefe, funcionário…). Consequentemente, caso haja uma desproporção de ganhos é o momento de parar e perceber o quanto cada um de verdade merece.

Assim, se você está em um relacionamento em que se sente com as energias sendo drenadas, pense no que você está de verdade ganhando (ou evitando perder). Vale mesmo a pena? Essa pessoa que está com você está fazendo o bem para sua vida e as pessoas que você ama?

Em um relacionamento abusivo apenas um lado ganha. Como resultado, ele é injusto.

2. Não-Maleficência

Não basta fazer o bem, também não se deve faz o mal. Portanto, quando um relacionamento é abusivo de alguma forma é traz algo de negativo para a vida da outra pessoa. Assim, agressões físicas, sexuais, morais e psicológicas, afastamento das pessoas que se ama, cerceamento dos sonhos, roubo de tempo são alguns exemplos de malefícios que uma relação abusiva pode apresentar.

Dessa maneira,  muitas vezes uma pessoa aceita uma relação abusiva dessa maneira pensando que “por outro lado eu tenho esse benefício”. Existem alguns problemas com esse pensamento: primeiro, todos merecem estar em uma relação que seja minimamente ética e saudável. Depois, com o passar do tempo, a tristeza, a angústia, o sofrimento gerado por aquilo que é ruim, vai tomando conta da relação e de quem está sofrendo esses ataques. Como consequência, isso vai corroendo a energia e a alegria de viver, por exemplo.

A conclusão é que aqui estamos falando de algo maior do que apenas ceder para manter um relacionamento. O relacionamento abusivo acontece quando existem perdas significativas na vida de uma pessoa, e isso é intolerável.

3. Autonomia

Um relacionamento abusivo busca retirar a capacidade do livre pensamento da pessoa abusada. Dessa forma, quem abusa procura mostrar o quanto a outra pessoa não tem condições de pensar por si própria. Assim, pouco a pouco, vai sendo minada a autoestima da pessoa abusada e o relacionamento abusivo vai ganhando força.

Uma pessoa tóxica faz questão de mostrar o quanto a outra pessoa não tem capacidade de ter boas ideias, seus sentimentos não tem valor, seus sonhos são inferiores ou ingênuos etc. Dessa maneira, pouco a pouco o abusador ou abusadora vai tentando mostrar que a outra pessoa não tem condição de viver sem ela.

Todo mundo é capaz de deliberar sobre suas escolhas pessoais, cada um tem a condição de buscar informações, entendê-las e delas tirar uma conclusão. Receber conselhos de quem se importa com a gente ajuda muito, porém a decisão final tem que ser sempre nossa.

Lembre-se você é o juiz ou juíza de sua vida. Em outras palavras, você manda em suas escolhas.

4. Justiça e Equidade

Uma relação em que não existe equilíbrio por consequência é tóxica. Os tempos de trabalho e descanso são equivalentes? Os recursos e os tempos são destinados de forma igualitária ou existe um desnível?

Nesse ponto é importante refletir se está sendo oferecido aos envolvidos aquilo que é moralmente correto e adequado? Cada um está recebendo o que é devido ou existe alguma distorção baseada em imposições físicas, sentimentos ou lógicas perniciosas?

Para ajudar a enxergar esse parâmetro em seu relacionamento, imagine que você esteja vendo ele de fora. Dessa forma, imagine que não seja seu esse relacionamento, mas de outra pessoa. De algum parente ou alguém na televisão, por exemplo. O que você acharia dele? As pessoas estão recebendo de forma proporcional àquilo que estão entregando?

O relacionamento abusivo é injusto, uma vez que a balança pende em benefício de quem abusa.

“O amor liberta, o medo prende. O amor expande, o metro retrai. A amor dá, o medo cobra. O amor solta, o medo segura. O amor aceita e o medo rejeita.” – Alexandre Chow