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José Mayer – A diferença entre elogio e assédio

//José Mayer – A diferença entre elogio e assédio

Hoje me deparei com a carta do ator José Mayer, no qual admite que errou ao assediar a figurinista Susllem Tonani (28) no ambiente de trabalho o qual compartilharam por 8 meses.

Entenda o caso do José Mayer

O caso veio à tona quando Susllem relata de forma clara e direta em entrevista à página Agora É Que São Elas, publicada em 31/03/2017. O título já demostra o tom da angustia e da ofensa “José Mayer me assediou”. Esse artigo foi publicado e logo tirado do ar. Após apurações e ações da Rede Globo, a entrevista voltou a constar na página, imortalizando a coragem de expor o constrangimento e o medo.

Depoimentos como “E com ele vinham seus “elogios”. Do “como você se veste bem”, logo eu estava ouvindo: “como a sua cintura é fina”, “fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, “você nunca vai dar para mim?”.

E não ficou apenas em palavras. Chegou-se a impelir contato físico e ofensas verbais, levando a um constrangimento, desconforto e revolta sem tamanhos. Até que ela deu um basta, relatando os fatos a todos os setores e departamentos possíveis dentro da empresa. Mas doeu, e muito. Ela saiu do emprego.

Para você que deseja ver a entrevista na integra, clique aqui.

Foi com a entrevista e seu impacto midiático que o caso ganhou a necessária comoção. Atrizes, produtoras, colaboradoras da Rede Globo postaram fotos com a #mexeucomumamexeucomtodas. A Rede Globo afastou por tempo indeterminado o ator e enviou carta de desculpas a funcionária.

Porém, cabe aqui o pensamento: porquê? Por que um homem se sentiu a vontade em molestar, assediar e agredir verbalmente uma mulher? É brincadeira? Não há realmente intenção de ofender?

Violência contra a mulher no Brasil

Uma em cada três mulheres já sofreram algum tipo de violência no ÚLTIMO ANO!. Só de agressões físicas, são 503 mulheres brasileiras vitimas por HORA. São dados do Datafolha, divulgados em 08/03/2017. É sério. É real. É hoje.

Clique aqui para ver a pesquisa na íntegra, publicada pela Exame.

Quando a mulher tem coragem, abertura e forças para se defender, seguem as desculpas e respostas oferecidas pelos agressores, como é “brincadeira…”, “viva o feminismo!”, “mas você não sabe brincar não”, “está de TPM é?”, que caracterizam outra agressão.

Não é uma questão de ideologia ou filosofia, mas sim de respeito. Puro. Sem condições. Não! Não é um elogio. Para mim, elogio é quando a pessoa tem o desejo de valorizar, de realizar o julgamento favorável a alguém. A partir do momento que o elogio constrange, entristece, machuca, já não o é mais.

Porém, há “elogios” que são notadamente assédio. Gosto muito da definição do Código Penal Brasileiro, em seu artigo 216-A, que diz:

“Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”

Assédio possui o componente sexual. São os olhares, as falas, os toques indevidos e não autorizados. Onde apenas um se diverte, em uma asquerosa brincadeira de gato e rato.

Respeito

Cabe aqui uma profunda reflexão sobre como se deseja interagir com as pessoas, e respeitá-las. Não apenas por questão de gênero, foco desse artigo, mas porque são seres humanos, com racionalidade e sentimentos. Pois se quis e se atuou como agente de tristeza, mágoa e raiva.

Fica meu apoio e meus mais profundos sentimentos a Susllem. Saiba que também me revolto, que te admiro por ter se protegido e que desejo que não carregue culpa, pois a vitima não deve ser culpada. Espero e desejo que a dimensão do caso e a apoio recebido te ajude a superar e tenha orgulho de ter dito ‘Não!’.

Confira a carta na íntegra

Carta aberta aos meus colegas e a todos, mas principalmente aos que agem e pensam como eu agi e pensava:
 
Eu errei.
 
Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava.
 
A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora.
 
Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas. Sou responsável pelo que faço.
 
Tenho amigas, tenho mulher e filha, e asseguro que de forma alguma tenho a intenção de tratar qualquer mulher com desrespeito; não me sinto superior a ninguém, nao sou.
 
Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são.
 
Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender. O mundo mudou. E isso é bom. Eu preciso e quero mudar junto com ele.
 
Este é o meu exercício. Este é o meu compromisso. Isso é o que eu aprendi.
 
A única coisa que posso pedir a Susllen, às minhas colegas e a toda a sociedade é o entendimento deste meu movimento de mudança.
 
Espero que este meu reconhecimento público sirva para alertar a tantas pessoas da mesma geração que eu, aos que pensavam da mesma forma que eu, aos que agiam da mesma forma que eu, que os leve a refletir e os incentive também a mudar.
 
Eu estou vivendo a dolorosa necessidade desta mudança. Dolorosa, mas necessária.
 
O que posso assegurar é que o José Mayer, homem, ator, pai, filho, marido, colega que surge hoje é, sem dúvida, muito melhor.
 
José Mayer
Por | 2018-06-06T11:19:09+00:00 4 abril 2017|Opinião|

Sobre o Autor:

Débora Loureiro
Fundadora e Diretora Comercial do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano (www.institutoloureiro.com.br) e da Novah Comunicação (www.novahagencia.com.br). Desenvolvedora humana, coach, mentora, counsellor e analista comportamental, treinada por José Roberto Marques; consultora de imagem e estilo treinada por Jô Souza e Dhora Costa; especialista em marketing pessoal e negociação; especialista em etiqueta social e de negócios, treinada por Virgínia Gargiulo; especialista em hipnose conversacional, treinada por Miguel Cocco. Atua há mais de 17 anos na área de relacionamentos interpessoais, tendo mais de 15.000 horas de experiência. Cursou Direito, Gestão Comercial, Imagem e Estilo, com diversas especializações nas áreas de Psicologia e Comportamento Humano em instituições como FGV, Belas Artes, IBC, UNIFEOB e Elsever Institute. Fundadora da Casa das Mulheres para abrigo de mulheres vítimas de violência doméstica.

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