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Entrevista à Revista Perfeito Magazine: Religião e a redação do ENEM

//Entrevista à Revista Perfeito Magazine: Religião e a redação do ENEM

A Revista Perfeito Magazine entrevistou nosso Presidente Marco Aurélio Loureiro para saber sua opinião sobre o tema da redação do ENEM 2016, intolerância religiosa, além de conversar sobre dicas sobre como fazer uma boa redação. Esse tema surpreendeu muitas pessoas pelo fato de lidar com um assunto tão delicado como a religião. De que maneira o aluno pode se posicionar frente a essa questão? Como se expressar de forma segura e convincente, apresentando seus pontos de vista? Confira a entrevista abaixo:

Suzana Elias Azar: Qual a importância do tema da redação do ENEM 2016: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”?

Marco Aurélio Loureiro: A intolerância carrega consigo uma tentativa de colonização da mente alheia, e isso é péssimo. Toda reflexão sobre restrições de liberdade de pensamento é válida e necessária em tempos de posições extremas e de superficialidades.

Propor uma discussão sobre o julgamento que se faz de outra pessoa é um convite para o afastamento da identificação com símbolos e da análise rasa e a aproximação dos conceitos de convívio e permissão.

Ao separar o mundo entre “nós” contra “eles”, existe a ilusão de pertencimento de um grupo que se encontra em uma posição mais vantajosa do que o outro, porém o que ocorre é uma ação mais relacionada com o ego do que com o espírito.

Explico: quando existe uma distinção entre ‘certo’ e ‘errado’, quem está do lado dito correto sente uma satisfação interna ao estar em contato com os menos afortunados espiritualmente ou com os adversários que se imagina que querem espalhar a palavra ‘errada’ e eventualmente agem para o enfraquecimento de sua crença, da presença de sua divindade na Terra.

Essa sensação de bem-estar acontece porque gera a percepção de desnível, de estar em uma posição superiora aos outros. A questão é que não existe uma diferença muito grande entre a identificação com os atributos de uma religião ou com as qualidades de um carro ou um perfume. Somos aquilo que possuímos ou acreditamos?

A questão é que quando existe essa distinção entre as pessoas, para alguns indivíduos existe a crença de que então é válida a agressão, a segregação e até a morte. Trazer a sociedade a pensar sobre essa questão torna-se vital.

O tema da redação oferece uma inquietação para o afastamento de julgamentos e o bom convívio social, para que as pessoas possam ser como elas desejam, todos tem o direito à procura da felicidade, como diz Thomas Jefferson na Declaração da Independência dos EUA. Seja qual for esse alegrar, desde que respeite os limites éticos, não fazendo mal a si nem ao próximo.

Por que não podem sentar na mesma mesa um católico, um umbandista e um muçulmano? Uma pessoa é muito mais profunda do que sua crença religiosa, opção sexual, cor de pele ou time de futebol. A boa notícia é que está tudo bem, deixemos quem está próximo de nós ser quem deseja vamos ser todos nos permitir contribuir para um mundo bom, sem separações. Precisamos de pessoas que conectam pessoas e que compõem pensamentos e para isso, o caráter social dessa proposta de reflexão é evidente. Belíssimo tema.

A redação do ENEM é sempre uma das questões que gera ansiedade nos estudantes por não saber de antemão qual será o tema. Como se preparar para escrever sobre os mais diversos assuntos que podem ser apresentados?

Ansiedade é reflexo de excesso de futuro em uma mente, o que rouba energia e gera desgaste desnecessário. Saber trazer a mente para o presente reduz esse estado e para conseguir fazer isso é preciso autoconhecimento junto com conhecimento específico.

O candidato saber como seu sistema emocional funciona e o que o conecta com o momento atual, auxilia tanto na hora da preparação, quando na escrita da redação no vestibular. Aliado a isso, ao se ter a percepção de que se está bem preparado, que fez seu melhor até o momento da prova ajuda (e muito) na sua tranquilidade.

Com relação ao autoconhecimento, desenvolver atividades de domínio mental e relaxamento, como meditação, respiração intencional e automassagem, se tornam excelentes aliados. Saber como funciona a própria mente, quais as crenças que limitam, as pressões internas e externas, as inseguranças e os medos, bem como aquilo que fortalece, o que anima e confere energia, traz a possibilidade de ressignificar o que não é bom e se apoiar no que é positivo e já existe dentro do candidato.

Para conseguir isso, o auxílio de um mentor que tenha conhecimentos na área de Coaching é fortemente recomendado, pois facilita essa jornada com sua experiência, além de técnicas, métodos e ferramentas, como um recurso para estar ao lado como um guia e um apoiador, para ganhar perspectiva e receber feedbacks construtivos.

Para a preparação específica, além de conhecer muito bem as técnicas de escrita, especialmente as relacionadas à redação de vestibular (estrutura textual, referências etc.), é preciso cultura geral e habilidade de compreensão do mundo e de argumentação. Não está em jogo propriamente a visão do vestibulando, mas sua capacidade de estruturar um texto coerente, dentro do tema proposto e que sustente seu ponto de vista. Como tudo na vida, a excelência vem com a prática, especialmente se for assistida por alguém experiente. Assim é fundamental que haja estudo desses elementos de construção textual, que sejam escritas uma série de redações e que elas sejam corrigidas por bons professores para identificar os pontos de melhoria.

O tema deste ano reflete uma realidade do Brasil e que gera polêmica, independente da religião do estudante. Como fazer um bom texto sobre o assunto sem declarar sua posição religiosa?

Demonstrando uma visão sistêmica, apresentando sua capacidade de compreender as relações humanas, apoiado em sólidas referências que não estejam conectadas com opiniões, dogmas ou crenças religiosas, que não sejam enviesadas de forma especulativa (“eu acredito que…”).

Esse é um grande desafio, pois se trata de um assunto que tem o potencial de mexer com convicções muito profundas do candidato. Essa é a armadilha e também a beleza do tema: a necessidade de demonstração de um pensamento crítico, reflexivo e propositivo, apresentando sua visão de mundo com perspectiva e argumentação sustentada.

De forma geral, quais as características de um texto bem colocado na prova de redação do ENEM? 

Um bom texto tem que ter, em geral, estrutura, argumentos e coesão. O ponto de vista do candidato tem que ser transmitido de forma clara e objetiva, apresentando uma realidade baseada em fatos e/ou referências, além de demonstrar suas implicações e oferecer possibilidades. Tudo isso tem que estar permeado com boas técnicas de construção de orações, letra legível, uso correto da língua escrita e vínculos consistentes entre os elementos-chave do texto.

A religião do estudante pode ser expressa na redação ou é melhor evitar seu posicionamento pessoal?

Não creio que a expressão da religião do candidato ajude na sua argumentação, pelo contrário, porque poderá trazer dificuldades na apresentação de referências que sustentem seu ponto de vista. Se ele realmente quiser fazer isso, terá que se esforçar bastante para não ter um texto que reflita apenas seu sistema de crenças, sem embasamento. É mais seguro apresentar um texto tem que reflita a sua visão de mundo com distanciamento, clareza de pensamento e costura de pensamentos, evitando seu posicionamento pessoal. Vestibular não é um momento para arriscar e é fundamental para não se complicar sem necessidade fazer boas escolhas.

“O melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros.” – Robert Baden-Powell

Por | 2017-07-10T17:05:57+00:00 24 novembro 2016|Matérias|

Sobre o Autor:

Presidente do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano e da Novah Agência de Comunicação. Desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, escritor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante. Pesquisador e um dos pioneiros da aplicação integrada de técnicas e conceitos de Pedagogia, Coaching, Mentoring e Ayurveda no desenvolvimento de pessoas. Atuou durante mais de 20 anos como professor e palestrante, tendo desenvolvido milhares de pessoas ao longo desse período. Cursou Engenharia Civil, Bacharelado em Estatística, Licenciatura de Matemática e Marketing com especializações nas áreas de Psicologia, Educação, Marketing e Astronomia, pelas instituições USP, FGV, FAAP, UNIP. Violonista clássico, geek e colecionador de livros e documentos raros.

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