Análise do Episódio 15 Milhões de Méritos | Black Mirror T1:E2

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O episódio 15 Milhões de Méritos (15 Millions of Merits) de Black Mirror nos revela uma realidade perturbadora sobre os cotidianos. E tem tudo a ver com o Mito da Caverna de Platão, escrito no século IV a.C. e se mostra bem atual. Você anda satisfeito com seu trabalho ou sente que algo falta em sua vida?

Acredita que poderia realizar seus sonhos, mas que antes precisa juntar dinheiro, fazer currículo, cumprir com as exigências sociais? Tem liberdade ou sente que sua vida está sendo controlada? Você controla sua vida? E a pergunta central do episódio: qual seu preço?

Veja aqui o teaser do episódio:

*** ALERTA DE SPOILER *** Se você não quiser saber o que acontece no episódio 15 Milhões de Méritos do Black Mirror, não continue a leitura

A Caverna de Platão e o Episódio 15 Milhões de Méritos de Black Mirror

mito-da-cavernaEm um dos diálogos em seu colossal “A República”, mais precisamente no início do Livro VII, Platão escreveu um diálogo entre seu professor Sócrates e seu irmão Glauco.

Nessa alegoria, Platão descreveu as pessoas como sendo prisioneiras acorrentadas em uma caverna subterrânea, incapazes de virar suas cabeças. Tudo que podem ver é uma parede da caverna, na qual sombras do mundo sobre eles são projetadas.

Aqueles que controlam as sombras, que estão atrás dos prisioneiros, são pessoas que estão do lado de fora da caverna. Os prisioneiros veem apenas suas sombras e ouvem seus ecos, acreditando que essas sombras na verdade são objetos reais.

Um dos prisioneiros consegue se livrar de suas correntes e sai da caverna. Cego pela luz, ele é incapaz de ver alguma coisa e anseia pela escuridão (Ignorância) que lhe é familiar. Finalmente, depois de se acostumar com a claridade, ele consegue contemplar o Sol (alusão à fonte do conhecimento, à Sabedoria).

À medida que se acostuma com seu novo ambiente, percebe o quanto sua visão anterior da realidade estava errada. Ao retornar para tentar contar para seus antigos companheiros de prisão na caverna, ele é desprezado. Aqueles que nunca deixaram a caverna o ridicularizam e juram nunca ir para luz para que também não fiquem cegos.

Para compreender bem o Mito da Caverna de Platão, aqui tem uma animação muito boa:

A Caverna e Black Mirror

E baseado nessa ideia, 15 Milhões de Méritos de Black Mirror nos apresenta uma realidade distópica de crítica ao sistema capitalista mediante uma perspectiva tecnológica e midiática. Troque a parede da caverna pelas telas pretas (sacou o nome da série?) como televisão, computador, tablets ou celular e verá que as massas estão cada vez mais expostas a um mundo ilusório, não tendo contato com a realidade.

E sendo assim, não estão caminhando na direção da Sabedoria, da compreensão verdadeira das coisas. Sendo dessa forma marionetes nas mãos dos detentores do sistema. Oferecendo seu trabalho para sustentar grupos de privilegiados e recebendo em troca ilusões dentro de suas vidas entediantes.

Mundo cinza

Roupas CinzasEm 15 Milhões de Méritos, todos vestem a mesma roupa. Moletom cinza. O cinza é uma cor absolutamente neutra que nesse contexto transmite a ideia de neutralidade. Todos são iguais, sem expressão de suas identidades através de cores. Suas roupas não transmitem nenhum tipo de vida ou personalidade.

Cinza é a cor do cimento, cor de estruturas frias que sustentam algo. Ao colocar todos os funcionários de cinza, o episódio ressalta a falta de identidade que o sistema traz para a vida das pessoas, especialmente no meio corporativo.

Já observou as pessoas dentro de uma empresa, escola ou qualquer outro ambiente coletivo? Perceba que elas parecem ter saído de uma mesma forma. Mesmas roupas, mesmos cortes de cabelo, mesmas aparelhos eletrônicos. O sistema tende a tornar as pessoas homogêneas, assim elas passam a sentir que pertencem àquele grupo.

Seus trabalhos são repetitivos e individuais

trabalho repetitivoTodos os dias, as pessoas do episódio trabalham sozinhas, pedalando sem a necessidade de interagir com ninguém. Buscam suas metas pessoais e tudo que precisam fazer é oferecer seu tempo e suor o máximo de tempo possível.

Quanto mais tempo e dedicação oferecem, mais créditos ganham. Essa é a lógico que 15 Milhões de Méritos vê com relação ao trabalho.

Na vida real, vemos pessoas que trabalham em ilhas. Não interagem, não se preocupam com quem está ao lado e acreditam que tudo depende apenas de seus esforços e tempo de dedicação. Passam horas do dias presos em suas rotinas e atividades e se esquecem de olhar para o lado.

Os trabalhos muitas vezes são realizados individualmente, mesmo que algumas vezes pareçam que existe trabalho em grupo. Cada um está buscando o seu, o que impede que o trabalho seja um espaço alegrador e que gere sinergia entre os colaboradores.

Vidas igualmente solitárias em celas

Todos os personagens vivem dentro de celas individuais, saindo delas para trabalhar e comer. De dentro delas observam e interagem com o mundo, inclusive com outras pessoas. Passam o tempo todo observando uma grande tela onde fazem compras, assistem programa, pornografia e propaganda. Tudo de forma virtual. Suas rotinas são de suas celas para o trabalho e de volta para suas celas. Solidão em cima de solidão.

Aqui, 15 Milhões de Méritos nos chama a atenção para as rotinas das pessoas, a falta de interação humana nos cotidianos e a solidão que existe inclusive quando não estão trabalhando. Elas estão confinadas em suas tecnologias e serviços que as mantém alimentadas e distraídas.

Os espaços fora do trabalho que parecem fazer as pessoas seguras, na verdade são pequenas prisões que permitem que elas sobrevivam, se entretenham virtualmente e sejam doutrinadas, especialmente com erotismo e sonhos de sucesso e fama.

Eles não tocam em (quase) nada

não tocamEm todo episódio, as interações das pessoas com o mundo são em sua maioria feitas à distância. Com comandos por sinais ou presença. Estamos nos perdendo do mundo físico, das interações verdadeiras, do mundo do toque, das sensações corporais, do experimentar a vida, a Natureza, os corpos. Em 15 Milhões de Méritos vemos vidas onde apenas a mente é estimulada, não o corpo. O pouco que tocam tem a ver com seus trabalhos (as bicicletas).

Porém, mesmo com uma realidade baseada no virtual, o personagem principal Bing busca algo real, verdadeiro. Quando ele toca na mão de Abi, antes de entrar no programa de televisão Hot Shot, ele se ilumina. Sente que o contato humano traz apoio, conexão.

Faxineiros gordos

Eles vestem amarelo e são gordos. São marginalizados, quase não são vistos e quando são, enfrentam humilhações e desprezo. Eles são ridicularizados em um programa de televisão e são os vilões em um jogo de tiro no estilo Doom.

Assim, as pessoas de classes menos favorecidas são vistas como foco de humilhação e inimigos. Tudo isso agravado pelo mundo virtual.

Uma vez que eles não se encaixam nos padrões estabelecidos, acabam sendo marginalizados e agredidos pela sociedade.

Nos alimentamos não apenas de comida e bebida mas também daquilo que assistimos e ouvimos. Tendemos a replicar aquilo que ouvimos e vemos, condicionando nossa mente ao que somos expostos.

Por exemplo, se assistimos programas violentos, tendemos a ter pensamentos violentos ou a ver o mundo como um lugar perigoso.

No episódio, o sistema tende a aumentar a distância entre as classes sociais, afastando ainda mais as pessoas e gerando estereótipos. Nada a ver com a realidade, não é mesmo?

Não podem não ver as telas

Se as pessoas não querem ver as propagandas, elas tem que pagar por isso. Se elas fecham os olhos, na mesma hora a programação é pausada, a tela fica vermelha e surge um apito com a mensagem que os olhos tem que ficar abertos.

A tecnologia se impondo na vida das pessoas. A mídia em todos os lugares, forçando as pessoas a assistirem suas programações, verem seus comerciais e consumirem seus programas.

Se uma pessoa tenta não ver, tende a sofrer um grande incômodo por estar desconectada. A mídia tende a hipnotizar e condicionar seus espectadores.

Vidas para o trabalho (bicicletas)

Os momentos de atividades em seus dias são voltados para o trabalho. Pedalam o dia inteiro se distraindo com programas, jogos ou compras, perseguindo dinheiro e metas. Suas bicicletas abastecem de energia todo o sistema.

Apenas alguns conseguem entrar nesse trabalho.

trabalhoUm trabalho sem graça, rotineiro, desconectado de tudo que tem a ver com vida e com a personalidade do indivíduo. Vamos pensar um pouco nos trabalhos em geral: quantas vezes falam para nós o quanto estão insatisfeitos com o seus trabalhos? Talvez até você mesmo não esteja contente com o que faz para viver.

Oferece as horas mais preciosas de seu dia, em os anos de mais saúde e capacidade física para uma instituição ou um trabalho autônomo. Isso tem que ter um sentido mais profundo do que apenas pagar as contas, senão será um imenso desperdício de tempo e de vida.

Segurança na rotina

Mesmo que não esteja racionalizado, em algum lugar dentro da pessoa ela sabe que a segurança de sua rotina (acordar, ir para o trabalho, voltar para casa, descansar, acordar e começar tudo de novo, torcendo para que chegue sexta ou algum feriado prolongado) não preenche seus anseios profundos.

Viemos até esse mundo para deixarmos nossa marca nele, darmos nosso recado. Em algum lugar no fundo de nossos corações, todos sabemos disso. Assim, muitas vezes a tristeza, a depressão, o vazio existencial pode ser explicado como sendo uma percepção de nossa mente e de nosso espírito de que não estamos cumprindo nossa missão nessa vida. Estamos jogando fora a oportunidade de uma vida, em troca do que nos dizem para fazer.

Quando não servem mais, são descartados e substituídos

Em uma cena, um dos personagens está pedalando e começa a passar mal. Um colega o ironiza, chama de preguiçoso e diz que ele será logo substituído. Dito e feito: no dia seguinte, ele não está mais lá.

Quantos profissionais vemos entregando o seu melhor nas empresas e quando não servem mais, são substituídos por alguém mais novo.

Os profissionais muitas vezes são descartáveis em seus trabalhos, vivendo em constante pressão por resultados e inovações. Suas experiências e vivências são facilmente ignoradas em troca de sangue novo. Isso impede que muitos desses profissionais tenham espaço nos postos de trabalho.

Essa realidade é agravada com o avanço da tecnologia. Podemos pensar na importância do ser humano dentro de um contexto no qual máquinas estão ganhando cada vez mais espaço.

Vemos em Black Mirror que o que antes estava restrito à substituição física, agora está tomando o lugar de sua força mental, analítica e criativa.

Incentivam vida com alimentação saudável, punem quem come açúcar mas incentivam consumo de sexo e programas de humilhação de pessoas obesas

saudávelTodo comportamento dessa sociedade massificada é moldado por aquilo que elas veem e são incentivadas a fazer através de exposição por meio da mídia. O comportamento das pessoas é reflexo do que elas assistem e vice-versa.

Um exemplo são a escolha dos programas de televisão, exteriorizando e reforçando padrões mentais e emocionais residentes no indivíduo.

É como se fosse uma busca para reforçar algo que está dentro da pessoa, ao ver fora de si aquilo que possui internamente. De alguma maneira existe a sensação de validação, recompensa e reforço.

Como suas vidas são monótonas e sem graça, precisam se sentir bem consigo mesmas através de humilhação dos outros. Pessoas que não se encaixam em parão definidos pelos meios de comunicação.

Assim, grande parte da audiência e das relações humanas são baseadas em se divertir com a desgraça alheia (isso parece bastante com os programas de Pegadinhas, não é mesmo?). Isso tem o nome de Schadenfreude.

Prazer real e virtual

Um aspecto importante dessa relação com a mídia é o fato de na vida real não terem acesso aos ‘prazeres’ sensoriais em nome de uma alimentação saudável. Porém, no aspecto virtual, são constantemente incentivadas a procurarem cada vez mais prazer (e a pagar por isso).

Isso denuncia um deslocamento das atenções e dos padrões de consumo. Na realidade, adotam comportamentos que são socialmente aceitáveis e conscientes. Extravasam suas vontades, posições e desejos no mundo virtal. Aqui surgem as compulsões

O sistema se adapta e engloba as novidades

sistemaExiste um processo de adaptação do sistema às eventuais mudanças no mundo real. Essa é o processo de evolução de Darwin: quem sobrevive não é o mais forte, mas aquele que melhor consegue se adaptar ao meio. Assim, quando algo sai do controle do sistema ele rapidamente se organiza para trazer para dentro dele. Esse é um dos principais pilares de sustentação do capitalismo.

Ele não possui a rigidez ideológica de outros sistemas de organização econômica. Ao contrário, à medida que a sociedade avança, ele encontra caminhos para monetizar suas atividades.  Trazem para dentro de sua lógica pessoas ou estruturas dissonantes.

Podemos ver isso claramente com artistas, programas de rádio ou televisão que começaram suas atividades sendo vozes contra grandes estruturas e depois de algum tempo passam a fazer parte de alguma forma dos grupos ou ideologias que antes criticavam.

Essa é a forma de sobrevivência do sistema: ele não luta contra o que lhe é contrário, ele busca caminhos para se adaptar a ele e se possível englobar o que é novo. 15 Milhões de Méritos de Black Mirror mostra um processo constante de mutação.

O pouco que era real, era considerado lixo

avatar2Já reparou que o valor está sendo deslocado gradualmente para aquilo que é virtual? As brincadeiras, as interações pessoais, as formas de trabalho são exemplos desse cenário. Isso é apresentado em 15 Milhões de Méritos de Black Mirror com o foco da maioria das atividades fora do mundo real.

Os objetos são todos sem graça, sem cor, sem vida, servindo apenas para manter a vida (comer, vestir, dormir por exemplo) e para estabelecer contato com o eletrônico.

Eles usam avatares (personagens em uma realidade paralela) para fazer suas compras e interagir com outras pessoas. Assim, vivem através de suas projeções no mundo virtual. Bem parecido com os perfis no Facebook ou no Instagram, onde não é preciso que a pessoa diretamente faça as interações, mas uma imagem projetada dela, onde existe o controle do que é compartilhado e dessa maneira, da imagem social construída.

avatarUm aspecto crítico é a dessensibilização que isso acarreta, reduzindo a capacidade de empatia das pessoas. Elas também passam a ter cada vez mais dificuldades em interagir com outras pessoas cara a cara. Se expressam através e textos, fotos e vídeos na Internet, mas precisam de muito esforço para conseguir dizer o que sente e compreender o o outro pessoalmente.

Trabalham para sustentar o sistema e as pessoas que gerenciam a ele

hot shotEssa é uma realidade que não é atual. Uma massa de trabalhadores que sustentam uma elite privilegiada, mantendo uma realidade de privilégios e opressão. O episódio 15 Milhões de Méritos de Black Mirror apenas evidencia o deslocamento dessa classe e dessa estrutura para as mídias de massa. Primeiramente para a televisão e depois ampliada para a Internet, construindo uma organização híbrida onde existem diversos pontos de contato possível.

Isso pode ser visto através da interação multitelas, onde por exemplo, uma pessoa ao mesmo tempo que está assistindo televisão, navega na Internet em seu celular ou tablet. Essa é uma demonstração de convergência de mídias, aproximando as pessoas cada vez mais de uma rede de informações por diversos pontos de contato. Onde a pessoa estiver, a qualquer momento, ela pode ter contato com o que está sendo produzido de conteúdo.

Mobilidade social: você paga para buscar seu “sonho”

Para que a pessoa possa sair de sua condição de trabalhadora mediana (não são faxineiros, mas também não são celebridades – representando a classe média), tem que pagar para ter uma chance.

A mobilidade social acontece se o indivíduo se sujeita ao crivo do grande público e dos formadores de opinião. Grandes produtores, youtubers e outros influenciadores, passam a ter um papel fundamental na hora de definir quem terá a oportunidade de ter sucesso. 15 Milhões de Méritos de Black Mirror mostra que a definição de valor está na quantidade de audiência e na aprovação de determinadas pessoas.

Para ter essa oportunidade, é preciso pagar o preço, não apenas com relação a dinheiro, como também muitas vezes se confrontando com questões éticas e morais, como veremos abaixo.

Eles tem que tomar ‘conformidade’ (compliance) antes de se apresentar no Hot Shot

compliancePara ter a chance de mostrar o seu talento, um pouco antes de entrar no palco o candidato tem que tomar uma dose de ‘conformidade’. Isso mostra o tom do processo: a pessoa deve perder a sua identidade e passar a buscar estar em consonância com o que as pessoas esperam e o que o show quer mostrar.

Essa dualidade existente entre o fato de ser um show de talentos, algo relacionado a uma habilidade única do indivíduo, com o fato da pessoa ter que fazer parte de um sistema pré-definido de ações e atributos. 15 Milhões de Méritos de Black Mirror revela que na realidade o que acontece é um grande jogo de cena onde o sistema está interessado em quem reforça suas convicções e valores. E não está interessado propriamente no valor do indivíduo.

Quer ter sucesso, faça o que o sistema espera que você faça.

Para servir o rei você tem que oferecer o que tem de mais precioso

Abi (Jessica Brown), a menina cantora que consegue ingressar no Hot Shot por conta de um presente de Bing (Daniel Kaluuya) protagoniza um dos momentos mais tensão do episódio.

Depois de se apresentar, os jurados não se mostram interessados no que ela acabou de performar, mas sim querem levá-la para fazer filmes pornográficos.

Essa é uma metáfora com cores bem fortes sobre o fato do sistema muitas vezes empurrar o indivíduo para que ele vá contra seu sistema de valores.

Uma espécie de vale tudo para conseguir o que deseja.

Isso é visto dentro de competições desleais no mercado de trabalho e na disputa por lucros entre empresas.

Não raro vem à tona notícias de utilização de trabalho escravo por algumas empresas, sonegação fiscal e descumprimentos da lei entre muitos outros exemplos possíveis.

Nesse momento cabe a reflexão até onde se iria para ter o que deseja. Especialmente se essa vontade está sendo implantada na pessoa desde que ela é bem jovem. 15 Milhões de Méritos de Black Mirror nos mostra a dificuldade de romper com essa lógica. E o pior, na maioria das vezes o sistema ganha.

Mesmo tendo saído de sua rotina, o sucesso é apenas uma cela mais ampla

Bing tenta sair do sistema participando do Hot Shot, mostrando sua indignação após o que aconteceu com Abie. Depois um discurso fervoroso e de ameaçar tirar a própria vida, os jurados conseguem cooptar o personagem principal para que ele mesmo tenha um programa de televisão. Transformam a autenticidade de um desabafo e um levante contra o sistema, como apenas mais um show dele. Mais um produto.

A cena final mostra Bing terminando mais uma transmissão de seu programa. Então ele calmamente toma seu suco de laranja enquanto é mostrado para nós que ele continua em uma cela. Só que agora mais ampla, com mais conforto e uma vista bonita. 15 Milhões de Méritos de Black Mirror mostra que continua sendo uma prisão, apresentando para o espectador a ilusão que o sucesso traz para quem o consegue.

 

Por |2018-06-06T11:19:04+00:0014 janeiro 2018|Análise, Cine Coaching|

Sobre o Autor:

Presidente do Instituto Loureiro de Desenvolvimento Humano e da Novah Agência de Comunicação. Desenvolvedor humano, coach, mentor, professor, escritor, matemático, terapeuta corporal ayurvédico e tântrico, autor e palestrante. Pesquisador e um dos pioneiros da aplicação integrada de técnicas e conceitos de Pedagogia, Coaching, Mentoring e Ayurveda no desenvolvimento de pessoas. Atuou durante mais de 20 anos como professor e palestrante, tendo desenvolvido milhares de pessoas ao longo desse período. Cursou Engenharia Civil, Bacharelado em Estatística, Licenciatura de Matemática e Marketing com especializações nas áreas de Psicologia, Educação, Marketing e Astronomia, pelas instituições USP, FGV, FAAP, UNIP. Violonista clássico, geek e colecionador de livros e documentos raros.

8 Comentários

  1. João Batista Salgado Loureiro 14 de janeiro de 2018 at 15:21 - Reply

    Uma análise profunda, objetiva e realista do mundo em que vivemos, valendo-se com perspicácia deste episódio do seriado Black Mirror.
    O autor demonstra um profundo conhecimento das engrenagens ocultas, que sob um véu aparente de liberdade, nos prendem a um sistema perverso, cujo único desejo é extrair o que lhe interessar de cada um de nós.
    O uso da alegoria do Mito da Caverna é perfeita, dando a todos que irão ler este artigo a “receita” perfeita para de fato poderem se libertar: a aquisição do conhecimento.
    A conclusão a que podemos chegar, é a de que o “sistema” só é capaz de escravizar quem se deixa permanecer imerso nas trevas da ignorância; sendo impotente diante de quem detém o conhecimento.
    Parabéns efusivos ao autor desta brilhante análise!

  2. Carlos 10 de fevereiro de 2018 at 04:44 - Reply

    Duas análises são simplesmente INCRÍVEIS! Assisti o primeiro episódio e fiquei com dúvidas no final dele, fui procurar na internet e tive a sorte de achar sua análise a respeito. Assisti o dois porém entendi tudo e fui ler a análise e dos seus pontos de vistas que são sensacionais é bem explicativos, porém ao terminar o terceiro, quase que como um ritual vim buscar aqui sua análise porém não achei. Peço encarecidamente que continue as análises por favor pois são geniais e aprecio muito. Obrigado e sucesso!

    • Marco Aurélio Loureiro 10 de fevereiro de 2018 at 08:43 - Reply

      Olá Carlos! Muito obrigado pelas suas palavras! Adorei saber que você está acompanhando aqui as nossas análises sobre o Black Mirror! Pode deixar que já estou providenciando a análise do terceiro episódio e dos próximos. Continue com a gente que estão chegando novidades! Um grande abraço.

  3. João Guilherme 28 de fevereiro de 2018 at 15:26 - Reply

    Tem análises dos episódios seguintes?

  4. Marcus 23 de maio de 2018 at 16:06 - Reply

    Vivemos em uma simulação controlada, e acredito que o esse episodio mostra a mesma coisa.
    Como se estivessemos vivendo em uma Matrix.
    Leiam: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/03/simulacao-de-computador-sim-voce-pode-estar-vivendo-na-matrix.html

    • Marco Aurélio Loureiro 23 de maio de 2018 at 18:17 - Reply

      A forma que temos para conseguir alcançar nossos reais objetivos e realizarmos nossa missão nesse mundo está na consciência e na visão sistêmica. Por isso a importância de séries como essa.

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